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Fantástico denuncia três faculdades de MT por fraude

17/06/2019

Cândido Rondon, Sávio Brandão e Faculdade Cuiabá estão na mira do MEC

O Fantástico mostrou um lugar onde aluno bom não tem moleza. Quem vai mal é que ganha logo um diploma. A inversão de valores seria usada para fraudar o Enade, a prova que avalia as universidades brasileiras. Pelo menos três faculdades particulares de Mato Grosso são suspeitas de participarem do esquema de fraude ao Enade: a Fausb (Faculdades Integradas Desembargador Sávio Brandão) localizada em Várzea Grande, a Fauc (Faculdade Cuiabá) e Cândido Rondon, ambas em Cuiabá.

A maior parte dessa nota, 55% dela, sai de uma prova feita por estudantes veteranos que já tenham cumprido 80% do curso. A direção dessas faculdades deu um jeito de garantir que só os bons alunos fizessem o Enade: apressou a formatura dos alunos mais fracos, que poderiam abaixar a nota média.

O Fantástico teve acesso à gravação de reunião liderada por Maria Aparecida Enis Andrade, diretora das três faculdades. No áudio, ela fala com professores e repassa orientações de como proceder. "Tem que parar tudo e só intensificar Enade", diz ela em um trecho do diálogo exibido na reportagem.

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) é realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e concluintes, em relação aos conteúdos programáticos dos cursos em que estão matriculados. O objetivo é avaliar as próprias instituições de ensino tanto públicas quanto particulares.

"Do jeito que nós estamos a gente nunca vai sair do protocolo de risco", diz a diretora na reunião se referindo a um conjunto de protocolo de sanções aplicadas pelo MEC às faculdades que se saem mal no Enade. Conforme a reportagem, em 2015 as três faculdades tiveram notas baixas: um ou dois quando o máximo é cinco. Na edição de 2018 do Enade se houve uma repetição do mal resultado as instituições poderiam ser punidas com a primeira sanção: diminuir o número de alunos nas faculdades.

A reunião que foi gravada e teve trechos exibidos pela emissora foi realizada um mês antes do exame. "Nós vamos ter que colocar de goela abaixo porque senão no Enade vai ser zero", diz a diretora em outra parte da reunião. Para evitar isso, a direção da universidade deu um jeito para que só os "bons alunos fizessem o Enade e apressou a formatura dos estudantes considerados "mais fracos" que poderiam derrubar a nota média da turma.

Um dos entrevistados pelo Fantástico, um professor que trabalhava em uma das faculdades em 2018, confirmou a fraude por determinação da diretoria. "A ordem que foi dada era a seguinte: para os alunos que são ruins se antecipa a formatura deles fazendo com que eles ganhem notas. Mesmo que não tivesse cumprido toda a carga do curso", afirma o professor.

Conforme a reportagem até o questionário os estudantes preenchem como parte da avaliação do Enade com uma série de questionamentos, era manipulado. Isso porque os professores obrigavam os universitários a preencherem o formulário nos computadores da própria falculdade para controlar as respostas dadas por eles. "Antes do aluno enviar tem que ter um auditor olhando as respostas e chancelando pro aluno ir embora. Essa coisa de liberdade não existe. Ela é entre aspas", diz a diretora na reunião.

A reportagem do Fantástico falou com estudantes que confirmaram a fraude. Diante da situação,um estudante de administração fez uma denúncia anônima na página do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pelo Enade.

Segundo a denúncia, a faculdade ameaçou reprovar alunos que se negassem a participar da fraude. O presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse que a autarquia federal já iniciou processo de verificação da denúncia e enviou questionários às instituições de ensino. "Já recebemos, estamos fazendo agora a apuração interna e assim que nós concluirmos enviaremos ao Ministério da Educação", disse ele.

Ainda de acordo com a reportagem, até a vistoria técnica dos profissionais do Inep realizada nas instituições para avaliar a estrutura como laboratórios e bibliotecas, também era fraudada. Isso porque antes das visitas, a diretoria montava salas interativas, com móveis novos como frigobar, sofás e ampliava o acervo de livros. Porém, recolhia tudo após as visitas dos profissionais do Inep. A gravação indica também que as faculdades interromperam as aulas da graduação para dar curso preparatório para o Enade.

Grupo de notícia Estado



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