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PMs presos em operação tiveram aval de diretores de presídio para entrar com freezer recheado de celulares para líderes

18/06/2019

Para a polícia, não há dúvida de que os diretores e os policiais receberam dinheiro ou outro tipo de favorecimento em troca da entrada dos celulares. Policiais, diretores e preso que receberia o freezer tiveram uma reunião no dia da entrega.

A operação, da Polícia Civil, prendeu os três policiais, dois diretores e dois presos, que já estavam na PCE. Os dois presos são líderes de uma facção criminosa que atua em Mato Grosso.

As investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) chegaram até os servidores depois que um freezer "recheado" com celulares foi entregue na PCE no dia 6 de junho.

Revetrio Francisco da Costa - diretor da PCE Reginaldo Alves dos Santos - subdiretor da PCE Cleber de Souza Ferreira – Tenente da PM do 3º BPM Ricardo de Souza de Oliveira – Subtenente da PM na Rotam Denizel Moreira dos Santos Jr. - Cabo da PM na Rotam Paulo Cesar da Silva – (conhecido como Petróleo) - líder de facção Luciano Mariano da Silva – (conhecido como Marreta) - líder de facção

Em coletiva de imprensa, os delegados da GCCO, Flávio Stringueta e Frederico Murta, explicaram como a polícia chegou até os diretores, policiais e os presos.

A investigação começou no início do ano quando a GCCO acompanhava a movimentação das facções criminosas no estado. Para os delegados, a entrega dos celulares, promovida e arquitetada pelos servidores públicos, não foi a isolada e já ocorria há algum tempo.

O freezer foi direcionado ao preso Paulo Cesar da Silva, que divide cela com Luciano Mariano da Silva.

“Os PMs negociaram a entrada do freezer na PCE com o diretor. Eles [os policiais] é que providenciaram o transporte do freezer até a penitenciária. O diretor e subdiretor promoveram a entrada [do equipamento]. Os policiais entraram [na penitenciária] após a entrega e estavam à paisana”, disse Murta.

As imagens de segurança mostram que uma caminhonete, de cor preta, chegou às 13h na PCE e entrou pelos portões da frente. O freezer foi deixado e o veículo saiu do local. Cerca de 40 minutos depois os policiais chegaram na PCE em um veículo descaracterizado e não usavam fardas.

“Eles foram até os diretores, na sala da direção, e ficaram algum tempo conversando. Depois, o preso Paulo Cesar da Silva foi retirado da cela e levado à direção, onde ficaram com ele em uma suposta reunião por mais de uma hora. Depois disso o freezer passou pelo escâner e os celulares foram descobertos”, completou o delegado.

Para a polícia, há provas suficientes que indicam a participação dos policiais e dos diretores na facilitação da entrega dos aparelhos aos líderes da facção. No dia em que o freezer foi entregue, a polícia procurou o registro de pessoas suspeitas de terem levado o equipamento até a PCE. No entanto, não havia nenhum registro no controle interno da penitenciária.

O diretor, naquele dia, não soube explicar como não havia nenhum registro do equipamento sendo entregue na PCE. “Há um livro de registro de pessoas e entregas, mas não havia nenhum registro e ninguém soube dar informação de como o freezer chegou ao local, ainda mais pelo portão principal da unidade. Esse fato causou estranheza e isso foi indagado ao diretor, que também não soube explicar”, afirmou Murta.

Para a polícia, não há dúvida de que os diretores e os policiais receberam dinheiro ou outro tipo de favorecimento em troca da entrada dos celulares. A GCCO vai apurar a participação e envolvimento de cada um.

Por conta do clima quente, nas unidades prisionais de Mato Grosso é permitido que os presos tenham uma geladeira ou um freezer por raio ou cela de cada unidade. Dinheiro, celulares e documentos foram apreendidos na operação e devem ser periciados. Os diretores e os policiais serão encaminhados para unidades prisionais.

A assessoria da Polícia Militar informou que uma equipe da Corregedoria da PM está acompanhando o caso e reúne informações para apurar a denúncia e as prisões.

Grupo de notícia Estado



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