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Vereador de Feliz Natal é acusado de proteger facção e corre risco de cassação

20/06/2019

Presidente da Câmara de Feliz Natal fala em abrir CPI contra "Pipoca", acusado até de intimidar PMs

Desdobramentos de uma operação policial no município de Feliz Natal Coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) onde 13 pessoas foram presas, agora respingam num vereador do município. Ademir Alves de Oliveira, o Pipoca (MDB), está sendo acusado pela Polícia Militar de proteger criminosos que seriam integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

O Ministério Público Estadual (MPE) recebeu uma denúncia contra o vereador formalizada pelo comandante do 4º Pelotão da PM em Feliz Natal, capitão Manoel Fernandes Dantas. Protocolado no dia 28 de maio deste ano, o documento é assinado por outros oito policiais militares que estão lotados no Município de 13,8 mil habitantes.

A Câmara de Vereadores, sob a presidência de José Nilton Moretto (PSDB), já fala em instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo será investigar as denúncias e cassar o mandato do parlamentar caso seja comprovada a acusação de que ele estaria agindo para dificultar os trabalhos investigativos e para “blindar” criminosos envolvidos numa série de delitos que vão de crimes ambientais ao tráfico de drogas.

Também pesa contra ele a acusação de tentar prejudicar e afastar da cidade policiais militares que participaram da operação deflagrada de forma conjunta entre as Polícias Civil e Militar entre os dias 25 a 27 de março deste ano. O vereador se deslocou até Cuiabá para se reunir com o secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, ocasião em que teria pedido a troca de comando da Polícia Militar de Feliz Natal, “sem nenhum motivo plausível para isso”, segundo consta no documento.

“Considerando razoáveis indícios de práticas de conduta incompatível com o decoro parlamentar e atentatória às instituições mediante discurso, com expressões contendo incitamento à prática de crimes e abuso das prerrogativas legais asseguradas ao parlamentar, praticada pelo vereador Ademir Alves de Oliveira, vulgo “Pipoca”, requeremos à esse egrério Ministério Público para que pugne pelo provimento da representação cabível, para fins de apuração das infrações demostradas nesse instrumento praticada pelo parlamentar. Dos expostos, estamos encaminhando a vossa excelência o presente instrumento e seus apensos, fins de conhecimento e adoções de medidas que produzam seus efeitos legais”, consta no documento produzido pelo 3º Comando Regional que engloba o 11º Batalhão Militar de Sinop e o 4º Pelotão de Feliz Natal.

Na operação, as forças policiais cumpriram mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão. À época, a Sesp informou que as ordens judiciais foram expedidas mediante levantamentos a partir de denúncias da prática de crimes ambientais, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e associação criminosa. Os mandados foram cumpridos na cidade de Feliz Natal e no Assentamento Ena, distante 90 quilômetros da área urbana, para identificação e apreensão de armas de fogo e outros ilícitos.

Após a operação o vereador teria começado a prejudicar as investigações e desqualificar policiais militares que atuaram nas diligências. Inclusive, chegou a usar a tribuna da Câmara de Feliz Natal para fazer discursos inflamados contra os policiais, para segundo ele, defender “trabalhadores” que estariam sendo perseguidos pelos militares.

No documento protocolado no Ministério Público, consta que policiais militares passaram a realizar diligências após denúncias e boletins de ocorrências de moradores e produtores rurais em 2018 e no 1º trimestre deste ano apontando que algumas pessoas em associação criminosa se instalaram numa área de preservação legal nos fundos do Assentamento Ena. Conforme a denúncia, os criminosos passaram a extrair madeira ilegalmente “sob forte proteção de grupos armados e financiados por pessoas de grande poder financeiro e certa proteção de ente político do Município, contanto ainda com possível envolvimento de policiais”.

Consta ainda que nas diversas diligências foram efetuadas prisões de criminosos e apreensões de armas de fogo. Dentre os presos estavam os autores de uma sessão de espancamento e tortura (salves) feitas pelos integrantes de organizações criminosas a um idoso por supostamente ter comprado drogas de outro traficante que não pertence ao grupo criminoso.

“Os suspeitos praticaram o crime e ainda registraram e vídeo e divulgaram através de aplicativo WhatsApp como forma de demonstrar poder aos demais. Segundo os próprios criminosos que praticaram tais crimes cumprindo ordens de uma facção criminosa identificada como Comando Vermelho”, diz trecho da denúncia.

A ação policial, no entanto, gerou incomodo aos integrantes da facção criminosa que passaram a exigir de entes políticos e de pessoas beneficiadas por condutas criminosas para desviar o foco das investigações. “Uma verdadeira postura de total afronta aos poderes constituídos. Aqui, ficou devidamente explicita o envolvimento do vereador Ademir Alves de Oliveira, vulgo Pipoca”, consta no documento.

Grupo de notícia Estado



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